domingo, 14 de novembro de 2010

O sonho é a pedra

Esse poema postado aqui, foi Cícero quem escreveu depois de um sonho, fruto de suas reflexões dentro do processo de montagem de A COR DA CHUVA.


SER PEDRA



O sonho é a Pedra

É pedra... É sonho...

O sonho da Pedra

Da pedra é o sonho.



Morrer, viver, amar, odiar, zelar.



O mostro marinho: face do poder.

A caverna, O dragão, A sombra...

A sombra! Água fresca!



Pedra chora. Chora a pedra...

Pedra morreu, Morreu, morreu?

O sonho, o sonho... Utopia.



Vem Monstro! Vem sol!

Escalda minha alma

Alma morta, Alma vida

Alma podre eu sou. Eu sou... Eu sonho.



Quem é ele?

Quem é nós?

Quem é você?

Você morreu você viveu

Vomita palavras esgoto aberto

Vomita mortos, defuntos, defuntos!

Infância dolorida, moída

Escorpião assassino me ferroou

Matai a mim mesmo que morro

Que sofro que vivo

Vivo sombras água fresca

Não, sonho, não. É amor!

É o sonho, sonho... Utopia.



Apreciai! Amai! Amai-vos!

Viajai espectro mostro marinho

É vinho? Água virou

Morreu sonho de amor.



Eu sou o vento, a sombra e a paz...

Eu sou a guerra e a morte



A vida eu amo?



Deixai vossas armas

Sem pudor comei pedras... Comei pedras

Engordai verme o ser não ser

O ser não ser humanóides, asteróides, estrelas mortas



Vivas chamas do amor!

E sonho, é pedra, é pedra é amor

Ilusões, cavernas, dragões

Ilusões, cavernas, canhões



Morrer, Renascer, o sonho, a pedra

A pedra... A pedra... A pedra...

Texto de Cícero Rosa

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A COR DA CHUVA - nossas primeiras atividades

Contemplado em 2010 pelo Prêmio de Incentivo à Produção e Circulação de Projetos em Artes Cênicas em Alagoas o espetáculo A COR DA CHUVA é o segundo espetáculo da Invisível Companhia de Teatro.

Nossa primeira experimentação cênica foi um monólogo, dessa vez estamos contando com uma equipe de seis pessoas, sendo dois atores em cena e uma equipe de mais quatro componentes dando suporte técnico e artístico para o desenvolvimento desse trabalho.

Infelizmente, tivemos nossa estreia adiada para uma data indeterminada por causa da não liberação da segunda parcela do recurso pela organização do edital, porém não paramos nossas atividades e continuamos seguindo de vento em polpa com nossos ensaios e confecção de figurinos e cenografia.

A FICHA TÉCNICA
Dramaturgia e direção:
Daniela Beny
Elenco:
Cícero Rosa e Udson Pinheiro 
Assistentes de direção:  
Carol Morais e Maurício Ebbers do Monte
Desenho de luz e execução:
Arnaldo Ferju
Composição de trilha sonora:
Guilherme Ramos
Execução de som e treinamento corporal:
Carol Morais
Cenografia e figurinos:
Marluce Costa
Fotografias:
Sandreana Melo
Produção:
Daniela Beny

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Da aspereza à suavidade - VOO AO SOLO de volta pra casa

Desde março de 2009, Marco Antonio, Arnaldo Ferju e eu (Daniela Beny) estamos (re)pensando constantemente um espetáculo que a princípio deveria caber numa mala. Bom, caber ainda cabe, mas já passou por tantas transformações e resignificações que nos mostrou o quanto "evoluções" são possíveis, mesmo que tenham sido feitas apenas 12 apresentações e tão espaçadas.

No último dia 09, tivemos novamente uma apresentação no Teatro Jofre Soares (SESC Centro) para poucas pessoas, mas que, dentre as apresentações feitas em Maceió, essa de longe foi a mais empolgante, porque foi a que eu mais me diverti, e teatro não pode ser sofrimento, me divertir (com seriedade) está em primeiro lugar porque é isso que eu amo fazer, então, voltando, o bom é que Thiago, Gustavo e Udson já tinham assistido o VOO, oque ajudou bastante no bate-papo pós apresentação.

Cada debate, conversa, feedback da plateia foram escutados, filtrados e digeridos, nos apontando o diálogo como o início de toda grande mudança, seja para o meu trato com o texto como atriz ou o amadurecimento de uma iluminação. Estou contente com esse regresso depois de Guaramiranga, principalmente por saber que a aspereza excessiva do espetáculo deu lugar à delicadeza cênica que sempre me foi muito difícil de alcançar. Ainda temos muito o que se trabalhar, mas percebo que temos pelo menos um norte.

Experimentamos coisas novas, outras possibilidades de disposição cênica, variação de figurinos, tons, velocidades, corpo e vamos nos planejar para que meu 2011 comece no palco, afinal, teatro se faz no momento da apresentação, ensaio é fundamental mas nunca é na atmosfera que o próprio público proporciona, independente de ter casa cheia ou apenas duas ou três pessoas.

VOO AO SOLO - participação no 17º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga/CE

Finalmente, depois de mais de um mês vamos falar sobre o FNT!!!
Antes de qualquer coisa, gostaria de agradecer à Thiago Sampaio (SESC/AL) pela indicação do VOO à produção do FNT.
Pronto, agora podemos começar os relatos. Digo que passamos por mais uma experiência incrível que, inicialmente nem iríamos tentar participar, dado que a inscrição no FNT foi feita de última hora mesmo.

O VOO abriu a Mostra Nordeste, na primeira noite do FNT, justamente depois do espetáculo "Simplesmente Clarice" monólogo com Beth Goulart, me deu um baita medão, mas não sabia eu das gratas surpresas que o FNT nos reservava.

Após quase 24 horas de viagem, chegamos à uma cidade pequenininha, cercada de natureza e extremamente aconchegante. Antes mesmo de almoçar, fomos conhecer o Teatrinho Rachel de Queiroz, primeira surpresa, por fora a estrutura simples escondia o que era a sala por dentro, um teatro pequeno mas com uma acústica maravilhosa, bem equipado e nas medidas certas para comportar o VOO. Foi inevitável, me senti em casa (na verdade queria eu ter um teatrinho como aquele na minha casa). Quando chegamos, os técnicos (coordenados por Netto), já estavam a postos com mapa de luz e equipamentos à nossa disposição, quase tudo montado, quase tudo pronto, faltava somente a afinação de luz do dia seguinte.

Chegado o dia seguinte, que era inclusive o dia da apresentação, a segunda grata surpresa, a ECOS (Escola de Comunicação da Serra), Ponto de Cultura da cidade, nos entrevista com a TV Beija-flor, justamente num bate-papo sobre o espetáculo e nossa trajetória até aquele momento.

Ensaio geral feito, palco reconhecido, não precisei subir em escada pra ajudar a montar a luz, estava ali apenas como atriz, o que é muito difícil nas circunstâncias habituais do nosso fazer teatral. Faltava apenas a apresentação, e eis que chegou o momento, plateia cheia, imprensa, debatedores, fotógrafos e toda ansiedade e expectativa de participar de um festival e me apresentar com o VOO pela primeira vez fora de Maceió.

E o monólogo que tinha apenas 35 minutos, se transformou num espetáculo de uma hora, sem ser cansativo, pra mim, sem dúvida, foi a melhor apresentação até agora, tudo se encaixou, espaço, luz e sonoplastia. Terminada esta etapa, vinha o que mais temíamos no dia seguinte: o debate.

Ok, mais uma surpresa, os debatedores Zeca Ligiero, Armindo Bião e Tiago Fortes teceram seus comentários, dúvidas, questionamentos, sugestões e, o mais importante, o apontamento de possíveis direções a serem tomadas para um amadurecimento do espetáculo. O olho no olho, a delicadeza e a pertinência dos comentários nos fez perceber qie a abertura de um diálogo só vem à agregar ao nosso trabalho.

Ah, algo que me deixou particularmente feliz, Zeca Ligiero, depois do espetáculo, num momento em que eu estava fumando, se aproxima e me diz: Parabéns pela ousadia., nem sabia que ele era ele, agradeci, claro. Conversamos um pouco, quando fui ler o folder do FNT e vi o currículo dele pensei: Realmente eu devo ter sido muito ousada., me senti lisonjeada e percebo que, bem ou mal, nós, como um grupo, estamos sim seguindo por um caminho possível para outra maneira de fazer teatro, que continuemos então ousando.

Reforço que o VOO AO SOLO só é possível pelo empenho de mais duas pessoas importantíssimas para esse processo: ARNALDO FERJU e MARCO ANTONIO DE CAMPOS. Sem esses dois, seria impossível andar, quanto mais voar com esse espetáculo.

Pra encerrar, parabenizamos à organização do FNT por tudo, pelo cuidado e pelo carinho com o qual fomos tratados o tempo todo, desde os técnicos para montagem de luz até a assessoria de imprensa. Voltamos para Maceió com o desejo de sempre regressarmos à Guaramiranga.


sábado, 7 de agosto de 2010

Prêmio Alagoas em Cena 2010

É com muita alegria que anuncio aqui que dia 04 de agosto (exatamente uma semana depois do resultado da seleção do FNT Guaramiranga) fomos um dos contemplados com  prêmio Alagoas em Cena 2010, montagem e circulação.

Nosso projeto aprovado foi para viabilizar nossa próxima montagem "A Cor da Chuva", que já fazia parte dos nossos planos, mas que com o patrocínio da Caixa Econômica Federal e FUNDEPS, e apoio da SECULT/AL vai se tornar mais viável.

Em breve mais novidades e mudanças no layout do nosso blog, afinal, logo logo teremos dois espetáculos circulando por aí!

sábado, 31 de julho de 2010

XVII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga

Um total de 77 espetáculos dos nove estados da região foram inscritos para Mostra Nordeste do XVII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT), que acontece de 04 a 11 de setembro na cidade serrana do Ceará. Desse total, nove foram selecionados, sendo um de cada estado, numa decisão da Coordenação do evento, pelo fortalecimento da representatividade dos estados no Festival. O resultado da seleção das Mostras que compõem a Programação Paralela, voltadas somente para grupos cearenses, será anunciado no dia 10 de agosto.

MOSTRA NORDESTE
Há três edições a programação da Mostra Nordeste era composta apenas por espetáculos convidados, que eram indicados por uma curadoria do Festival. Na 17ª edição, foram abertas novamente as inscrições para esta mostra, que recebeu uma considerável demanda de propostas. Os 77 espetáculos foram inscritos por 70 companhias teatrais de toda a região.

Estes foram os espetáculos selecionados para a Mostra Nordeste do XVII FNT:
VÔO AO SOLO - Invisível Companhia de Teatro (AL). Direção: Marco Antônio de Campos;
UMA VEZ NADA MAIS – Carambola (BA). Direção: Hebe Alves;
AS TRÊS IRMÃS – Grupo de Estudos e Trabalhos em Stanislavski – GETS (CE). Direção: Graça Freitas;
PAI E FILHO – Pequena Companhia de Teatro (MA). Direção: Marcelo Flecha;
A CASA DE BERNARDA ALBA – Grupo Harém de Teatro (PI). Direção: Arimatan Martins;
RASIF – MAR QUE ARREBENTA – Coletivo Angu de Teatro (PE). Direção: Marcondes Lima;
MILAGRE BRASILEIRO – Coletivo de Teatro Alfenim (PB). Direção: Márcio Marciano;
DEUS DANADO – Cia A Máscara de Teatro (RN). Direção: Marcelo Flecha;
CACUETE – A INCRÍVEL PERFORMANCE DE CRENDICES – Projeto Cacuete (SE). Direção: Maycira Teles Leão.

O FESTIVAL
Além da Mostra Nordeste, o FNT conta em sua programação com as Mostras FNT no Maciço, Palco Ceará, Infantil e Te-Ato à Meia-Noite, voltadas para grupos cearenses. Ao longo dos oito dias de Festival, acontecem ainda ciclo de debates, oficinas, apresentação de teses ou dissertações de pesquisadores, lançamentos, entre outras atividades que compõem o Programa de Formação do FNT.

O XVII Festival Nordestino de Teatro é uma realização da Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA). Patrocínio: Oi. Apoio cultural: Oi Futuro. Apoio institucional: Prefeitura Municipal de Guaramiranga. Este projeto é apoiado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura.


fonte: http://www.meionorte.com/noticias,grupo-harem-de-teatro-e-selecionado-para-festival-nordestino-de-teatro-de-guaramiranga,106948.html
 
Então, posso dizer que isso é mais um passo vitorioso na nossa trajetório com este VOO, desde 2004, ainda no outro grupo que eu fazia parte, nos increvermos para o FNT, depois o mesmo passou a convidar os espetáculos, e este ano, apesar de termos nos inscrito de última hora, vamos participar de um dos mais importantes eventos teatrais do Nordeste. O importante é nunca desistir, tentemos voos cada vez mais altos agora! 

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Participação na I Jornada de Crítica Genética: El Análisis De Procesos Creativos En Artes Escénicas, em Tandil - Argentina

Depois de muito tempo sem postar nada venho aqui comentar um pouco sobre minha experiência na I Jornada de Crítica Genética: El Análisis De Procesos Creativos En Artes Escénicas, promovida pelo C.I.D: Centro de Investigaciones Dramáticas, Facultad de Arte. Universidad Nacional del Centro de la Provincia de Buenos Aires e IPROCAE: Proyecto Investigación de Procesos Creativos en Artes Escénicas, na cidade de Tandil, nos dias 16 e 17 de Abril de 2010.

Primeiro que a cidade é muito aconchegante, segundo que a equipe organizadora foi muito receptiva com todos nós, brasileiros ou não.

Dentro deste evento tivemos várias apresentações de trabalhos vinculados à crítica genética (ramo inicialmente vinculado à literatura e crítica literária) e aos processos criativos para montagem de espetáculos.

Meu material inscrito foi justamente sobre o processo de criação e execução do espetáculo VOO AO SOLO, com direito à apresentação (pelo menos na tentativa) em espanhol.

Eis o material apresentado, na versão em português:


A Formação/informação e vivências cotidianas
na construção dramatúrgica e estética do monólogo “Voo ao Solo”


Daniela Beny Polito Moraes
Atriz, dramaturga, pesquisadora em dramaturgia, graduanda em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Alagoas.


Palavras-chave: Pós-dramático, vivência e estética.


Inicialmente para analisarmos o processo de criação dramatúrgica e estética do espetáculo (monólogo) Voo ao Solo, precisamos contextualizar a inquietação para o nascimento deste espetáculo.

A dramaturgia foi elaborada tomando como ponto de partida três contos escritos por Daniela Beny durante sua residência artística em São Paulo por oito meses. Estes contos a princípio foram escritos sem nenhuma pretensão de publicação ou montagem, sendo meramente um apanhado de impressões sobre o choque cultural e o sentimento de desamparo. É importante salientar que a vivência cotidiana foi o foco desta primeira escrita, uma vez que a dramaturga/atriz estava “deslocada” (tanto geográfica como emocionalmente) de sua zona de conforto – sua cidade natal, Maceió – para o total desconforto. Porém não devemos tratar esse “desconforto” como algo negativo, pois a partir desta vivência é que pudemos chegar à obra “final”, o próprio espetáculo.

Num dos trechos do texto, a dramaturga relata: “Me sentia uma estrangeira, na verdade me sentia uma exilada, não pelo lugar onde habitava, mas pelo o que sentia estar habitando dentro de mim [...] me sentia completamente deslocada naquele lugar, no lugar que escolhi para ser meu.”, o que evidencia o impacto do deslocamento geográfico e do choque cultural tomando dimensões que extrapolavam os pensamentos da dramaturga.

Com os três contos em mãos chegou o momento de transforma-lo em um texto dramático e em processo colaborativo com Marco Antonio de Campos (encenador do espetáculo) chegamos a possibilidade de mesclar vivências recentes em São Paulo com influências literárias regionais e outros elementos que fizessem parte da formação (tanto acadêmica quanto artística) da dramaturga.

Após buscarmos fundamento nas obras de Nelson Rodrigues, Garcia Lorca e Shakespeare, chegamos a dois autores brasileiros, que, por acaso, nunca escreveram nenhum texto teatral. Lygia Fagundes Teles nos “emprestou” o conto Tigrela (que aborda um possível relacionamento homossexual de extrema dependência emocional entre uma mulher e sua tigresa de estimação) e Guimarães Rosa com o conto A Menina de Lá (com linguagem descritiva e regionalista aborda o messianismo para uma menina morta que tinha o dom de realizar o que desejava).

Neste ponto tínhamos as vivências e as influências compondo uma criação fundamentada no pós-dramático, precisávamos organizá-las de forma coerente apesar da diversidade temática, sendo assim pusemos o mítico feminino na espinha dorsal do texto, de onde sairiam várias ramificações, e cada uma delas estaria apta a propiciar diferentes sensações no público.

Tínhamos em cena uma mulher contemporânea – porém atemporal – transitando pela sua própria vida, mas sem seguir necessariamente uma cronologia, desenvolvendo as cenas da seguinte maneira:

1º espisódio: Ela recorda sua infância.
2º espisódio: Ela vivencia sua infância (apoiada no conto A Menina de Lá).
3º espisódio: Ela resgata seus amores.
4º espisódio: Ela resgata seus amigos.
5º espisódio: Ela mergulha no universo subconsciente (apoiada em preceitos freudianos) e discute sobre seus sonhos e pesadelos.
6º espisódio: Ela revela as “tentações” da dissimulação e efemeridades passionais.
7º espisódio: Ela recorda/vivencia o ápice da passionalidade e as relações doentias de dependência (apoiada no conto Tigrela).
8º espisódio: Ela se coloca como mercadoria, banalizando afetos e sensações.
9º espisódio: Ela recorda/vivencia o choque cultural.
10º espisódio: Ela regressa ao ponto de partida.

Esta trajetória já nos leva a comparação com o mito do herói grego que, deslocado de seu espaço, passa pela provação, reconhecimento e, por fim, redenção.

Justamente pela não-linearidade, buscamos uma estética que sugerisse um tom onírico à encenação, pois não contaríamos com cenografia, apenas com adereços como: chapéus de diferentes modelos, um guarda-chuva, uma maleta, uma caixinha de maquiagem e um lenço, todos vermelhos, o que, dependendo da cena, atribuía aos objetos características específicas côo desejo, medo, prazer ou estagnação, sendo estes os terminais nervosos da espinha dorsal.

Após vários testes, Arnaldo Ferju, designer de luz, criou uma iluminação cênica com corredores horizontais, refletores posicionados de modo a criar ilusões ópticas no palco, sugerindo níveis e angulações diferentes. A simetria e enquadramentos faziam com que cada cena, em conjunto com os objetos, já criassem atmosferas específicas em cada momento. Considero importante salientar que Ferju não é apenas iluminador, também é ator, sendo assim, consideramos que a execução da luz no espetáculo é um diálogo entre atriz e iluminador, apesar de se tratar de um monólogo.

O maior desafio deste processo foi a disponibilidade para se expor, uma vez que em cena não estava apenas a atriz, mas também a dramaturga, o que gerava uma dupla sensação de desnudamento, pois buscamos esclarecer sempre que tratava-se de um trabalho autoral, que, embora possua fragmentos de outras obras e conte com a colaboração de um encenador, tinha se proposto a ser autônomo e mutável, pois até hoje não o consideramos uma obra fechada.

A atriz busca no figurino preto a neutralidade, embora fuja da criação de uma personagem propriamente dita, ficando no pequeno espaço entre a atriz, a persona e a personagem, propondo em cena o mesmo desconforto experimentado na realidade.

A influência do cotidiano está justamente na possibilidade dae identificação do público com o texto, as características da sociedade moderna e seus conflitos se personificam, e isso acaba sendo inteligível para qualquer público que partilhe da cultura de uma sociedade de consumo. Neste breve instante de “representação” talvez o mais subjetivo em cena acabe provocando as reações mais objetivas na platéia, fazendo com que comunguem de um estado semelhante, mesmo que tenham sensações diferentes.

Cito Peter Brook, quando o mesmo diz: “O aspecto da realidade que cada ator está evocando deve despertar uma reação na mesma área em cada espectador, fazendo com que, por um momento, o público viva uma impressão coletiva.”, e essa impressão só é possível de se compartilhar pela experiência cotidiana, pois, mesmo que de modo diferenciado, todos já tiveram que lidar com perdas, alegrias, provações, mudanças e tristezas.

Atualmente estamos buscando a reconstrução do espetáculo, afinal passamos por constantes transformações após vivenciarmos uma infinidade de experiências, o que colabora para a resignificação e outras formas de relacionamento tanto com objetos de cena quanto com o próprio texto. Não ignoramos em hipótese alguma a possibilidade de suprimirmos algumas cenas, reescrevê-la ou apenas deslocá-la dentro da montagem.

Neste processo concluímos que, em hipótese alguma, podemos esquecer que o que nos transforma como seres humanos influencia diretamente o que criamos e recriamos como artistas. Se o dramaturgo é visto cronista de seu tempo, ele eterniza sua época nos textos, então ele também eterniza sua formação, embora o teatro seja efêmero.


Referencias Bibliograficas


BENTLEY, Eric. O dramaturgo como pensador. Trad. Ana Zelma Campos. Ed.: Civilização Brasileira, Rio de Janeiro:, 1991.

BOOK, Peter; A Porta Aberta – Reflexões sobre a interpretação e o teatro. Trad. Antonio Mercado. Ed. Civilização Brasileira, Rio de Janeiro: 2008.

LEHMANN, Hans-Thies. Teatro Pós-Dramático. Trad. Pedro Süssekind. Ed.: Cosac&Naify Edições, São Paulo: 2007.

SZONDI, Peter; Teoria do drama moderno: 1880-1950. Trad. Luiz Sérgio Rêpa. Ed.: Casac&Naify Edições, São Paulo: 2001.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

I Livre Conferência de Teatro

Há três anos os Grupos de Teatro de Alagoas se reúnem em um dia de dezembro para fazer o Chá da Tarde, ação proposta pela Cia do Chapéu e que a cada ano ganha mais parceiros e apoiadores, constituindo um momento de balanço anual da produção cênica alagoana. Comparado as edições anteriores, o último Chá obteve o maior número de participantes, onde debatemos assuntos pertinentes a quem desenvolve atividades culturais em nosso Estado.

Assim um dia ficou pouco para se falar tantos assuntos e estabelecer continuidade as questões levantadas. De dezembro do ano passado até agora foram realizadas reuniões sistemáticas entre os grupos, no intuito de mobilizar a classe e ter mais representação da categoria junto ao Ministério da Cultural, Secretaria de Estado da Cultura e prefeituras.

Nesse percurso a Livre Conferência de Teatro foi se definindo, com temas ligados a órgão públicos e também visando a união de forças para quem sabe num futuro próximo constituir uma Cooperativa de Teatro em Alagoas, estrutura já utilizada em outros Estados.

O objetivo é criar laços e mobilizar a classe artística alagoana, sendo um espaço de diálogos entre os que desenvolvem ações culturais, para que possamos pensar e agir principalmente sobre os aspectos de Desenvolvimento e Sustentabilidade do Teatro de Grupo em Alagoas, tema principal da I Livre Conferência de Teatro.

No dia 27 de março de 2010 (Dia Mundial de Teatro) foi realizado o ato IML – Isolamento Maceió Limitada, para tornar público a nossa opinião sobre as atuais políticas públicas de fomento a cultura. Contamos com o apoio dos artistas de audiovisual, que se tornaram nossos parceiros por compartilharem da mesma opinião e já confirmaram presença na conferência.

Segundo o Ministério da Cultura as Conferências Livres foram criadas para ampliar a participação dos diversos agentes culturais na Conferência Nacional de Cultura, um importante espaço de mobilização de grupos, entidades e participantes para as Conferências Estaduais, bem como de continuidade, aprofundamento e ampliação de suas discussões.

Todos são bem vindos para estabelecerem diálogos, os Órgãos Públicos já foram convidados, o Sindicato dos Artistas e Instituições Culturais. De 14 a 17 de abril, no Espaço Cultural da Ufal contamos com a participação do maior número possível de artistas. Toda programação é gratuita.


PROGRAMAÇÃO:

Quarta (14/04):

18h00 - Credenciamento

19h30 - Abertura

20h00 - Programação Cultural: Espetaculo Women´S - Grupo (E)xperiência/Subterranea(SC)


Quinta (15/04):

14h00 - Demonstração de trabalho técnico "Corpo, risco e interpretação por estados" com o Grupo (E)xperiência/Subterranea (SC)

17h00 - Palestra "Teatro de grupo e processos criativos" com André Carreira (SC)

18h00 - Intervalo

18h30 - Painel: “II Conferência Nacional de Cultura/2010” com Udson Pinheiro (LATO) e Rogério Dias (Quintal cultural).

20h00 - Programação Cultural: Espetaculo Women´S - Grupo (E)xperiência/Subterranea(SC)


Sexta (16/04):

14h00 - Mesa Redonda: “Nossas Identidades” com Elizandra Lucca (REKA Cia de Teatro) e Ronaldo de Andrade (ATA)  Moderação: Mary Vaz

15h30 - Mesa Redonda: “Políticas Públicas para Teatro” com representantes das esferas: Estadual e Municipal; Robertson Costa (Cia. da Meia Noite). Moderação Charlene Saad

17h30 - Intervalo

18h00 - Programação Cultural: Ensaio aberto do espetáculo AMARRADOS - Trupe BundaCanastra (AL)

19h00 - Mesa Redonda: “SATED/AL” com José Vieira (Presidente do Sindicato) e Elida Miranda (CUT-AL).  Moderação: David Farias

20h00 - Mesa Redonda: “Espaços de apresentações e ensaios” com representantes da Secult/AL, da FMAC, do SESC/AL, do SESI/AL e da UFAL. Moderação: Jonathan Albuquerque


Sábado (17/04):

09h00 - Open Space (Discussão de temáticas diversas).

11h00 – “Proposta de Festival Local dos Grupos envolvidos na Conferência”. Moderação: Tácia Albuquerque

12h30 – Intervalo para almoço

14h00 - Plenária Final  Moderação: Lais Lira


PARA MAIORES INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES ACESSEM: http://www.conferenciadeteatroal.blogspot.com/

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Sobre a II Mostra de Teatro SESI

Ufa, demorei para postar alguma coisa sobre a Mostra porque essa última semana foi muito movimentada. Em linhas gerais o evento foi muito importante para a interação entre os grupos e pela abertura do diálogo entre os artistas, em compensação, senti uma certa dificildade na organização de iluminação e na impossibilidade de alguns grupos ensaiarem.

Enfim, estamos de parabéns pela assiduidade no evento e parabenizamos também o SESI - na figura de Jorge Adriani - por esta iniciativa.

Que venham muitas outras mostras!

sábado, 20 de março de 2010

PROGRAMAÇÃO DA II MOSTRA DE TEATRO SESI

OFICINA DE TEATRO
TEMA: Treinamento Técnico e a construção do estado de jogo
FACILITADOR: Fernando Yamamoto / Clowns de Shakespeare/RN

Inscrição:
Período: 18 a 22 de março/2010
Local: Teatro SESI Pajuçara - Av Fernandes Lima, 4º andar, Farol
Casa da Indústria - Av Dr. Atônio Gouveia 1113, Pajuçara
Hora: Casa da Indústria - 8h às 14h
Teatro SESI Pajuçara - 15h às 20h,
Valor: R$ 20,00 (vinte reais) - Valor único
Contato: 2121-3087/3088
Realização:
Período: 22 a 27 de março/2010
Local: Teatro SESI Pajuçara
Hora: das 8h à 12h


APRESENTAÇÕES

DATA: 20/3/10 - SÁBADO - 20h (PARTICIPAÇÃO ESPECIAL)
LOCAL: AV. DR. ANTÔNIO GOUVEIA (Em frente a Centro Cultural SESI)
GRUPO: Ser Tão Teatro/PB e Clowns de Shakespeare/RN
PEÇA: Farsa da Boa Preguiça

DATA: 20/3/10 - SÁBADO - 20h (APRESENTAÇÃO PARALELA)
LOCAL: TEATRO SESI ARAPIRACA
GRUPO: Cia Teatro da Meia Noite
PEÇA: Insônia

DATA: 21/3/10 – DOMINGO - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Cia Penedense de Teatro – Penedo
PEÇA: Terra Terta
DEBATE: 21h

DATA: 21/3/10 – DOMINGO - 20h (APRESENTAÇÃO PARALELA)
LOCAL: TEATRO SESI ARAPIRACA
GRUPO: Associação Teatral Joana Gajurú
PEÇA: Versos de um Lambe Sola

DATA: 22/3/10 – SEGUNDA-FEIRA- 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL:TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Invisivel Cia de Teatro
PEÇA: Voo ao Solo
DEBATE: 21h

DATA: 23/3/10 – TERÇA - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Cia Fulanos ih! Sicranos
PEÇA: Contos de Cordel
DEBATE: 21h

DATA: 24/3/10 – QUARTA-FEIRA - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Cia Ganymedes
PEÇA: As muitas últimas coisas
DEBATE: 21h

DATA: 25/3/10 – QUINTA-FEIRA - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Associação Teatral Nêga Fulô
PEÇA: SOLampião
DEBATE: 21h

DATA: 26/3/10 – SEXTA-FEIRA - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Ciclo de Teatro Independente - CTI (Penedo)
PEÇA: As mãos de Eurídeci
DEBATE: 21h

DATA: 26/3/10 – SEXTA-FEIRA - 17h (APRESENTAÇÃO PARALELA)
LOCAL: PRAÇA CECI CUNHA (ARAPIRACA)"
GRUPO: Ser Tão Teatro/PB e Clowns de Shakespeare/RN
Peça: Farsa da Boa Preguiça

DATA: 27/3/10 – SÁBADO - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Cia Teatro da Meia Noite
PEÇA: Metafaces
DEBATE: 21h

DATA: 28/3/10 – DOMINGO - 20h (APRESENTAÇÃO PRINCIPAL)
LOCAL: TEATRO SESI PAJUÇARA
GRUPO: Cia Piloto de Teatro
PEÇA: Os Fuzis da Senhora Carrar
DEBATE: 21h

DATA: 28/3/10 – DOMINGO - 20h (APRESENTAÇÃO PARALELA)
LOCAL: TEATRO SESI ARAPIRACA
LOCAL: Associação Teatral Nêga-Fulô
GRUPO: Caboré

DATA: 28/3/10 – DOMINGO - 20h (ENCERRAMENTO)
LOCAL: HALL DO TEATRO SESI PAJUÇARA
ATRAÇÃO: DJ Peter Alves


Contato:  SESI Cultura - Av. Fernandes Lima , 385, Farol, Maceió, Cep 57055- 902, Casa da Industria, 4º andar, das 8h às 14h. Telefones: 2121-3087/3088 (Jorge Adriani, Ana Paula ou Erika Tavares).

quarta-feira, 17 de março de 2010

IML

Somos uma das poucas capitais brasileiras que não possuímos leis de incentivo a cultura nem na esfera municipal e nem na esfera estadual. Ficamos a mercê unicamente da Lei Rouanet, competindo com os demais grupos de todo o Brasil. Para que nossas artes e nossos movimentos culturais não morram venham nos ajudar nesse ato público:

 
IML
ISOLAMENTO MACEIÓ LIMITADA
DIA: 27 DE MARÇO

HORÁRIO: 11 HORAS DA MANHÃ

LOCAL: EM FRENTE À IGREJA DO LIVRAMENTO – CENTRO

AÇÃO A SER REALIZADA: Pessoas vestidas de preto deitadas no chão como um amontoado de corpos. (sugestão: levar papelão para deitar em cima, o chão pode está quente do sol)

CONTAMOS COM VOCÊS!


INFORMAÇÕES: 9969-4365 e 88651722
Para "comemorar" a passagem do Dia Mundial do Teatro:

sábado, 13 de março de 2010

Dose dupla na II Mostra de Teatro SESI

COMPONDO A PROGRAMAÇÃO DA II MOSTRA DE TEATRO SESI


VOO AO SOLO - dia 22/03 às 20H.


OS FUZIS DA SENHORA CARRAR - dia 28/03 às 20H.


LOCAL: Centro Cultural SESI Pajuçara (antigo CINE-ART Pajuçara - defronte ao Bompreço)
INGRESSOS: R$ 12 (inteira) e R$ 6,00 (meia)
Informações sobre esses dois espetáculos: (82) 8803-5128

quarta-feira, 3 de março de 2010

II Mostra de Teatro SESI - boas notícias

Já saiu o resultado da II Mostra de Teatro SESI, eis que a INVISÍVEL CIA DE TEATRO apresentará o espetáculo VOO AO SOLO no dia 22/03 (segunda-feira) às 20H.

Pois é, e também a turma do antigo módulo III (atual Módulo IV) do curso de Formação do Ator da UFAL com OS FUZIS DA SENHORA CARRAR no dia 28 (domingo) - só não sei o horário.

Enfim, é isso!

Maiores informações em breve!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

campanha "AJUDEM A DESPACHAR ESSA MALA..."

Olá pessoas que por curiosidade acessaram o blog,

Vou ser bem direta sobre a finalidade dessa campanha, é o seguinte, dia 19/02 recebi um email que me aviosu que fui convocada para participar da I JORNADA DE CRÍTICA GENÉTICA: El análisis de procesos creativos em Artes Escénicas, na cidade de Tandil – Argentina, nos dias 15 e 16 de Abril, promovida pela Faculdad de Arte de la Universidad Nacional del Centro de la provincia de Buenos Aires (U.N.C.P.B.A) através da IPROCAE (Investigacion De Procesos Creativos en Artes Escénicas) e C.I.D. (Centro de Investigaciones Dramáticas) com apresentação do ensaio A Formação/informação e vivências cotidianas na construção dramatúrgica e estética do monólogo “Voo ao Solo”.

Fazendo parte justamente do trabalho de pesquisa desenvolvido para montagem do espetáculo "Voo ao Solo". Como a organização do evento não custeia NADA eu estou tentando angariar fundos pra viabilizar minha ida pra Argentina, principalmente porque eu sou a única pessoa de Maceió que participará do evento.

Enfim, se alguém quiser ajudar com milhagens, apoio financeiro, apoio moral ou então indicação para alguém isso será uma ajuda muito bem-vinda.

grata a todos os amigos!!!!!

Contatos: invisivelcia@hotmail.com

Daniela Beny

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

II Mostra de Teatro SESI

Sei que as inscrições terminam na sexta-feira (dia 19/02), mas tá valendo...


Maiores informações no site: http://www.al.sesi.org.br/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Profissão: ATRIZ

Não posso taxar minha profissão como confusa, diria que é complexa e ao mesmo tempo gratificante por preencher meu espírito com vidas que não me pertencem, mas que intimamente fazem parte de mim, e é isso que me faz amar meu trabalho, ser tantas e ser apenas eu. É engraçado porque os atores são egoístas ao mesmo tempo em que são generosos. O egoísmo está em ter dentro de si todos os seres que existem, e a generosidade está no fato de se doar quando um desses seres que existem em si querem se mostrar, aí, tudo que é do ator passa a ser da personagem, inclusive os sentimentos que nem imagina ou reconhece ter.


Daniela Beny

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

As impressões de Udson

(por ele mesmo)

2º Encontro: Assistindo Vídeos na casa da Beny

18/01/2010
Presentes: Udson, Aninha, Beny, Mary, Charlene, Joana e Magnum

Assistimos a vídeos das construções cênicas: Regador, Em busca da Gentileza, Pele de Papel; fotos de Guache-me e Regador. E discutimos sobre elas.

Senti falta de uma análise mais profunda das outras obras artísticas além do “Regador”, suas questões, dificuldades, suas possibilidades, seus caminhos a percorrer, com certeza acreditamos que eles existem, pois do contrário não estaríamos nos dispondo a mexer nessas construções. A análise de Regador tomou-nos muito tempo. Espero que possamos retomar essa discussão em outro momento.

Neste encontro foi marcada a primeira experimentação do grupo na rua.

As pessoas estavam meio cri cri com as palavras Transposição, Migração e Intersecção que causaram polêmica e várias consultas ao dicionário.

Transposição e Migração são identificados como transito de um ser a algum lugar. Contudo Migração é um movimento orgânico, natural, diferente de Transposição que foi mais identificado como movimento mecânico, estuprador das naturezas, como a Transposição do Rio São Francisco.

Para mim, este projeto se compõe de dois movimentos fundamentais: Intersecção e Migração.

Intersecção: conjunto de objetos (pontos) comuns entre conjuntos. Ou seja, compreender a os pontos de diálogo entre as obras e daí criar um encadeamento coerente entre as obras e em si mesmo.

Migração: Mover o produto dessa intersecção entre performances de rua (tanto as performances foram gestadas na rua, quanto essa intersecção também o será) para o palco, trabalhando as modificações necessárias a isto. Utilização dos recursos disponíveis no palco (sonoplastia, iluminação, audiovisual, a própria estrutura do prédio Teatral é um recurso).

Proposta: Que cada participante experimente fazer uma das outras performances de que não participa, para vermos o que acontece com um olhar externo e interno. (Ver o outro fazendo o que eu faço, ver-me e sentir-me fazendo o que o outro faz).


Udson Pinheiro

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Aquilo que ainda não sabemos o nome...

Eis que tivemos nossa segunda reunião sobre o projeto das performances, discutimos várias coisas, inclusive sobre uma em específico, o que foi muito bacana porque nos debruçamos sobre questionamentos como: O que caracteriza determinada ação como performance? Por que estamos pensando em performance como uma expressão artística necessariamente de rua? e a principal de todas: Por que o palco?

Ainda estamos buscando essas respostas, estamos não apenas pensando... mas principalmente estudando, procurando mesmo significados e significantes. Embora ainda não tenhamos pensado num nome para o que estamos criando, na verdade, RECRIANDO.

As palavras, que são o ponto comum entre duas das quatro performances também causou iquietação neste segundo encontro, então fica aqui a dica: muito cuidado ao usar palavras como interseção, transposição e migração, nem sempre elas significam aquilo que nós nos acostumamos a compreender pelo senso comum.
Agora um parentese... perguntei para MARY VAZ o que significa performance para ela, sua resposta foi:
"Performance é o ENTRE. É o encontro de minha vida criadora com minha vida burocrática. Mesmo odiando a burocracia! Ainda mais forte, uma valorização de instantes únicos, o poder de assinar suas habilidades pessoais. É a criação de um repertório próprio, no sentido de autonomia mesmo! Que esse sentido de autonomia pode ser descoberto por outros meios, mas foi esse o meu achado."

Nesta reunião contamos com a presença de: Ana Antunes, Charlene Sadd, Daniela Beny, Joana Sarquis, Magnun Angelo, Mary Vaz, Renata Marques (registros fotográficos) e Udson Pinheiro.

Links importantes para os interessados neste processo:
O REGADOR: http://www.youtube.com/watch?v=aP80zhbWbBQ
PELE DE PAPEL: http://www.youtube.com/watch?v=cas-LOamsEU

ACESSEM, COMENTEM, NÃO SE ACOMODEM, SE ENCOMODEM.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Início de um processo coletivo

Ontem (dia 13/01/2010) tivemos a primeira reunião oficial de um processo de criação coletiva que já postei anteriormente, se trata do nascimento de uma parceria entre Invisível Companhia de Teatro, Cia do Chapéu e Saudáveis Subversivos - além, é claro, da participação de artistas criadores.
Estamos buscando migrar das ruas para o palco e ver no que isso dá. Aguardem as cenas dos próximos capítulos...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Proposta, convite, convocação

Caros e caras leitores deste blog (que eu sei que são poucos, mas vou registrar essa convocação mesmo assim).
Já tem alguns dias que conversamos Mary, Aninha, Udson e eu (Daniela Beny), e o que pensamos é juntar as performances: PELE DE PAPEL, GUACHE-ME, À PROCURA DA GENTILEZA e O REGADOR para transformarmos num único espetáculo de rua, e futuramente migra-lo para o palco.
Inicialmente teremos experimentos performáticos com elementos cênicos de palco, para depois termos um espetáculo de palco com elementos performáticos. Enfim, vamos ver no que vai dar.
Os interessados compareçam amanhã (Quarta-feira, dia 13/01/2010) na praça atrás do SESC Poço às 19H para um primeiro papo, afinal, queremos aproveitar esses dias que restam de férias para a maioria das pessoas.

2014 - um ano de muita pesquisa

Então, desde o final de 2014 o tempo tem sido cada vez mais escasso apenas pelo fator MESTRADO, tão raro que, ao vir atualizar o blog me de...